CHAVES PARA FELICIDADE DO LUCIANO EM MEIO A SUAS DIFICULDADES

Você já observou quem está em seu redor? Algumas são bem alegres, passam felicidade, contagiam o ambiente e atraem as atenções de todos. Outros, são sisudos, tendem ver as coisas negativamente, tornam as situações mais difíceis e pesadas, e distanciam as pessoas de si. Estes dois tipos de pessoas vivem desta forma independente da situação que estão passando.

Os cientistas gastaram muito tempo em laboratórios debruçados sobre pesquisas a respeito da tristeza humana, até conseguir desenvolver um arsenal de antidepressivos. E parece que só depois de tanto esforço, que finalmente passou a entender de felicidade, descobrindo inclusive o seu tão almejado endereço no cérebro e suas respectivas chaves. Então, onde se encontram as chaves para esta felicidade? Nas pessoas que nos cercam ou dentro de nós? Nos planos e projetos, nos bens e no trabalho, na sua saúde e amor, nos esportes e lazer? Pois bem, por experiência própria, afirmo que elas se estabelecem em nosso bem estar espiritual, que nada mais é do que ter presente em si o Deus vivo, e no bem estar físico, desencadeado, pasmem! pelos hormônios que circulam em nosso corpo. Tudo isto pode parecer no mínimo interessante, ou até “engraçado”, mas, acredite, são estas as chaves para felicidade.

É a partir desta linha de entendimento, que recobro na memória, a vida do Luciano, que na medida em que, aos 8 anos, já mostrando bastante maduro para sua idade, começou a enfrentar seus desafios contra o câncer, período de lutas, que se estendeu por 18 anos, e que teve seu crescimento espiritual se aperfeiçoando a cada dia, o fazendo reconhecer Deus como seu grande trunfo em cada vitória que conquistava. Esta sua relação com Deus revelou-se como um antídoto poderoso e eficaz no tratamento de todos os seus males, que supria suas deficiências, revigorava suas forças, fortalecia seu espírito, e proporcionava, mesmo em meio às dificuldades, o verdadeiro sentido da FELICIDADE, “.. alegrem-se os justos, e se regozijem na presença de Deus, e se encham de felicidade.” Salmos 68:3

E os hormônios o que isto tem a ver com a felicidade? Primeiro vamos entender o são hormônios. Estes, são substâncias químicas produzidas a todo momento em nosso organismo, e que tem efeitos específicos sobre as diversas atividades do corpo, atuando principalmente como regulador e estímulos no seu bom funcionamento. Contudo, existem hormônios que são fundamentais para proporcionar o bem estar geral das pessoas, principalmente no que toca no humor. 

Além disso, durante um processo de doença, além do próprio mal que a doença provoca, como por exemplo, a dor, qualquer pessoa sofre também com os sintomas da ansiedade, depressão, tristeza, angústia, raiva, enfim, e isto deve ser visto como um aviso de que algum equilíbrio no corpo humano se rompeu. A doença em si deverá ser tratada com medicamentos e outros tratamentos, mas e as questões do humor? Estas, uma vez afetadas e não tratadas podem prejudicar um todo, inclusive impedindo o processo de cura final da doença. Quem presenciou ou conheceu a história de luta do Luciano sempre questionou como ele pôde suportar física e mentalmente toda aquela pressão -15 anos de luta contra 4 diferentes cânceres, e sempre com aquele semblante de felicidade. 

Buscamos mais uma vez a experiência de vida do Luciano para demonstrar como ele utilizou os hormônios como chave para superar as dificuldades impostas pela doença, batalha física e emocional. O esporte e a música, pode ser considerado para muitas pessoas um hobby, prazer, até uma terapia, ou como alguns ignorantes de plantão diziam ser uma perca de tempo, entretanto, Luciano com sua sábia percepção, as utilizou como mecanismos para estimular a produção destas substancias chaves, que o ajudaram na conquista de suas vitórias contra o câncer. Contudo, acreditamos também que a paixão que Luciano teve pela música, e a disposição que tinha na prática do esporte, foram com certeza dons proporcionados providencialmente por Deus para que fossem utilizados em benefício de si próprio durante sua vida com tantas adversidades. ”...portanto, procurai com zelo os melhores dons; e eu vos mostrarei um caminho mais excelente.” 1 Coríntios 12:31

A música é algo que faz parte do nosso dia a dia, e conseguimos passar isso para nossos filhos. Escutamos música desde as primeiras horas do dia, até as últimas, e ela nos auxilia no extravasamento da alegria, no acalento de nossas tristezas e anseios, nos serve como meio de comunicação com Deus, seja em forma de súplica, louvor, ou como resposta às nossas questões. Como parte de nosso DNA, Luciano, não só soube aproveitar esta herança, mas também a aperfeiçoou com suas habilidades em tocar seu violino, violão, gaita, guitarra, assim como ler uma partitura de música, com a mesma facilidade com que lia um livro.

Luciano tocou seus instrumentos musicais em cerimônias religiosas e casamentos, em reuniões de amigos e familiares, restaurantes e bar, com seu violino e vestido de fantasma da opera emocionou um público de mais de 2.000 pessoas, nos surpreendeu com sua gaita em um improviso de blues acompanhado pela banda do resort IberoStar na Bahia, enfim, conseguiu extravasar suas emoções e alegrias exalando belas melodias por seus poros. Ele soube utilizar este dom, para amenizar e superar suas dores, cantando e tocando... me lembro de dias em que ele estava muito mal, e que o dia para mim que custava a passar enquanto tinha que estar no trabalho. Distante de sua presença, mas pensando o tempo todo em como ele deveria estar passando, por telefone o acompanhando, sem poder fazer nada, a não ser chorar seu sofrimento, mas que no final do dia ao retornar para casa, ansioso para o encontrar, logo ao abrir a porta, no meio do silêncio da casa, escutava ao fundo um som de música, ao chegar próximo do seu quarto, podia ouvir o som de seu violão ou violino, acompanhando sua uma voz, mesmo que trêmula pela fraqueza causada pela situação, se fortalecia pela vontade e efeitos proporcionados pela música. A cena de ver suas mãos pálidas manobrando seus instrumentos musicais, harmonizando aquelas belas canções, batia dentro de mim um sentimento que parecia que meu coração estava sendo cortado com uma navalha, mas ao mesmo tempo sentia também que tudo aquilo se transformava em um bálsamo explicado pela força demonstrada ao ouvir sua voz cantando e declarando ... “não existe nada melhor, do que ser amigo de Deus, caminhar seguro na luz, desfrutar de seu amor, ter a paz no coração, ....do meu bom pastor”. Isso tudo me faz lembrar aquele dito popular que diz “quem canta, seus, males espanta”, e eu complemento dizendo que “quanto mais, quando se invoca o nome de Deus”.
A prática de esportes também foi vivida intensamente pelo Luciano, desde os seus 6 meses de nascimento quando “Sissi o apresentou às águas cristalinas”, deu início ali à sua busca pelo esporte ideal, e então na natação por diante. Teve um momento que ele queria jogar futsal, e Sissi dizia: “mas meu filho, futsal é perigoso, tem muito contato físico e seria arriscado porque você tem uma placa metálica na perna!”, ele respondeu, “não esquenta não mãe, eu sei até onde posso ir,... jogo no gol!”. Depois enveredou rumo ao skate, “Oh meu Deus do céu!”, nada contra, mas pelo menos ele se ajuntou a um grupo chamado skatista de Cristo, ainda bem que não durou muito, ai foi para o basquete, apesar de sua perna operada e mais curta 8,5cm em relação a outra, ele foi escalado para jogar no time de sua escola, me lembro da Sissi levar o time completo dos jovens marmanjos suados de 1,90m, calçando 43, no seu Classe A para os jogos, isso que é exemplo de apoio. Jogou vôlei também. Passado algum, e ele mais seguro do que ele queria, chegou a mim pedindo apoio para praticar o triathlon, ai sim, foi então que conseguimos a entender definitivamente o que o esporte representava na vida do Luciano. 

Enquanto algumas pessoas mais próximas, que ele chamava de “os palpiteiros de plantão”, condenavam e criticavam seu envolvimento com um esporte de tamanha magnitude no que diz respeito à demanda de esforços físicos, de tempo para treinamentos, e gastos financeiros, nos pôde ser claro que o quê ele queria mesmo, além da necessidade que fazer algo que lhe podia realmente consumir a energia de carregava dentro de si, seria a oportunidade de provar seu espírito de superação. Ver a força de vontade e determinação em sua rotina de treinamento nos impressionava muito, nos conformando também por entender o benefício que tudo aquilo estava proporcionando à sua vida. Ele tinha uma equipe de profissionais que o acompanhava, professor de educação física, nutricionista, médico, e é lógico, eu, Sissi, e Priscila, às vezes o freando, e em outras, incentivando. Ele procurava acompanhar à risca a dieta que sua nutricionista prescrevia, assim como a planilha diária de atividades físicas traçada pelo treinador, mas às vezes, ou sempre, extrapolava um pouquinho, entendíamos que era o excesso de energia falando mais alto. Só para se ter uma ideia de sua rotina em três dias na semana, ele acordava 5 horas da manhã, e saia para pedalar junto com seus colegas, ou ele pegava a estrada rumo a Bela Vista de Goiás, às vezes para Anápolis, ou “para nossa alegria” e menor preocupação, pedalava também na pista do autódromo, chegava de volta em casa, por volta das 6:30 horas da manhã, quando então respirávamos aliviados e dávamos um “graças a Deus” de boca e espírito cheio, “oh Deus!”, para às 7:15 horas estar na faculdade. No início da noite, conforme sua planilha de treino, ou nadava, ou corria na rua durante uma hora, nos outros dias da semana, fazia na academia musculação e exercícios cardiovasculares (esteira ou spinning). Quando se aproximava de alguma competição, tudo isto que já parecia ser muito, se intensificava, e a animação e euforia aumentava, porque estava chegando a oportunidade de uma grande prova, não prova em busca de uma medalha ou troféu, mas oportunidade de mostrar que através de um esporte, que ele dizia ser de “macho”, todas as suas limitações, físicas e emocionais, poderiam ser superadas pela energia que vinha de uma fonte, que eu acostumava chamar de “ogiva nuclear do Luciano”. Pera aí, você está lembrado o que é triathlon? O cara nada 1.500 metros, em seguida, pedala 40 quilômetros, e termina correndo 10 quilômetros. Prova dos “noves fora”, do Luciano atleta que tinha este físico: perna esquerda 8,5 cm menor do que a direita, 30% menos músculo que a outra (cirurgia para retirada de osteossarcoma clássico), na coluna, escoliose, hérnia de disco, e bico de papagaio (cirurgia para retirada de tumor na L4 e L5), caixa torácica mutilada pela retirada de 3 arcos de costela (cirurgia para retirada de osteossarcoma parostal), e o emocional causado por todo estes traumas de tratamentos? Resultado da prova, dos “noves fora”, medalhas e troféus, pódios em várias provas no Brasil, e além fronteiras, Hamburgo, Alemanha, Lausanne, Suiça, e Vancouver, Canadá, onde em sua última prova, conseguiu a medalha de bronze do ITU - International Triathlon Union.



Agora eu explico porque falei de FELICIDADE no início do texto, dizendo que suas chaves estavam guardadas dentro de nosso bem estar espiritual e físico, e ai viajei tanto sobre música e esporte na vida do Luciano,... onde queria chegar?

A ciência comprova que o organismo humano é sábio, e que nosso corpo, como qualquer outra máquina, necessita de energia para fazê-la funcionar em harmonia, e que os hormônios produzidos a cada segundo são essenciais para essa vida saudável, além de atuar em nosso sistema nervoso que está por trás do sentimento de bem-estar. Cremos que o fato do Luciano, desde criança, ter se entregado à música e ao esporte, aconteceu por providência Divina (“SENHOR, tu me sondaste, e me conheces.” Salmos 139:1), fazendo com que todas estas atividades funcionassem como coadjuvantes no enfrentamento das suas situações. E isto se estabeleceu primeiro por sua estreita relação com Deus, o que lhe causava segurança e bem-estar espiritual. Segundo, porque como comprova a ciência, tanto a música, quanto o esporte, proporcionam estímulos físicos ao corpo que desencadeiam a liberação de um elevado suprimento endorfina, dopamina, serotonina, noradrenalina, oxitocina, e outros hormônios, que além de ter sido substâncias que o trataram, foram também a chave para a Felicidade sempre esteve estampada em seu rosto.