BONS TEMPOS, BOAS LEMBRANÇAS, PRESENÇA VIVA

Poemas, versículos, pensamentos, ditados, letras de músicas, estes livretos de frases e imagens, até frases de autores anônimos em muros e pára-choques de caminhão, são exemplos de uma prática de leitura que aprecio por sua objetividade e por proporcionar a oportunidade de uma imediata reflexão. Sempre considerei que poucas palavras muitas vezes tendem a ter mais poder do que um belo discurso. E isto é fortemente reforçado pelo pensamento deixado por Albert Einstein quando foi dito que "A leitura após certa idade distrai excessivamente o espírito humano das suas reflexões criadoras. Todo o homem que lê de mais e usa o cérebro de menos adquire a preguiça de pensar."

Mudando de assunto, ...neste último mês de janeiro, saímos de férias carregando conosco o sentimento de que o Luciano estaria ao nosso lado através de nossas lembranças, isto, principalmente porque estávamos fazendo algo que sempre fez parte de nossas rotinas de férias em família, que era viajar para Estados Unidos, e neste caso, com uma das agendas de afazeres adotadas desde que o Luciano e Priscila eram bem novinhos. Pois bem, e vejam o que aconteceu... já de chegada, ainda no aeroporto, quando instalava nosso GPS no carro, lá estava os primeiros sinais do Luciano, pois era ele que sempre o operava, e ao ligar o equipamento deparei com um monte de locais por ele cadastrados, todos muito a cara dele. No dia seguinte ao realizar uma reserva em um restaurante, que ele tinha como sendo seu favorito em Houston, chamado Maggiano's Little Italy, quando informei meu email para confirmação, me foi perguntado se eu era Luciano Carneiro, isto porque o cadastro estava em seu nome. Em vários momentos e locais em que estávamos eu às vezes me pegava emocionado com uma lembrança, e quando olhava para Sissi, ela coincidentemente também estava, era quando falava, “tudo isto aqui tem a cara do Luciano”, e a Sissi complementava, “pois é, por diversas vezes penso que o Luciano vai entrar por uma porta ou aparecer aqui dizendo algo”.  Priscila também sentiu muito a falta de seu motivador de muitas gargalhadas, companheiro de proezas, e incentivador nas desafiadoras montanhas-russas.  Muitos podem entender estas situações como momentos de tristezas trazidas pela saudade, mas totalmente pelo contrário, valorizamos bastante todas estas gostosas lembranças na presença do Luciano, porque ela nos coloca perto dele.


No primeiro dia da viagem, fomos ao Hallmark para a Sissi comprar um cartão de cumprimento a uma amiga que havia se casada, e logo na chegada deparamos com um texto intitulado, “Aos Pais, pela perda de um filho querido”. O tal texto ficou marcado, nos fazendo refletir por sua simplicidade e objetividade em relação à experiência que estávamos vivendo naqueles dias, e nos fez voltar ao mesmo local 20 dias depois, no último dia de viagem, para rever e copiar o que entendemos ter sido uma mensagem dirigida a nós, e que dizia:

“Although there are no words to ease the sorrow that is yours,
Thoughts and loving memories last as long as time endures.
So may your treasured memories grow more precious year by year,
and help to bring your comfort in the loss of one so dear.”

ò tradução ò
“Apesar de não existir palavras que amenize o pesar que é só seu,
pensamentos e lembranças amorosas durarão enquanto tempo perdurar.
Então que suas memórias preciosas aumentem em preciosidade ano após ano,
e ajude trazer o consolo (conforto) na perda de alguém tão querido.”
              Autor desconhecido.

O início deste texto que parecia não ter nada a ver com o que foi escrito sobre nossas férias, e lembranças do Luciano, reforça a capacidade que uma frase pode exercer no despertar de nossa reflexão, ou até como resposta a algo que não compreendemos.

Portanto, como foi dito e aqui comprovado, meia dúzia de palavras tende a dizer e ir mais profundo, do que muitas obras literárias. E neste caso, reforça que apesar da ausência física, e dor da saudade, causada pela falta de um ente querido, você pode manter por este seu amor, memórias e sua presença viva, buscando dia após dia cultivar e conviver com todas as suas lembranças deixadas.