PAI “NO” CAMINHO ATÉ O ÚLTIMO MINUTO.

O plano de um homem ter um filho, a princípio pode ser friamente interpretado como um ato egoísta, porque muitas das vezes visa atender uma vontade própria, ou seja, o seu desejo de ser pai. Assim, o nascimento do filho vem envolvido por uma grande emoção e sentimento de realização própria, contudo coloca o sonho frente a frente com a realidade da vida.  Realidade esta que nem sempre é entendida, e que transcende o óbvio material (corpo), para o intangível abstrato (alma, espírito, e sentimentos).


Desde que o Luciano nasceu, fruto daquele plano ordinário de todo pai, resolvemos para ele algo maior, algo que fosse além do normal, que seria o preparar para viver neste mundo, mas com vistas em valores mais duradouros, no sentido até de eternidade, e assim tomamos posse da palavra (Provérbios 22:6) Daquele que, verdadeiramente nos o concedeu, e que diz: "Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele".  Este versículo nos mostra que Deus espera que ensinemos nossos filhos por eles não conhecerem instintivamente a diferença entre certo e errado, se fazendo necessário portanto, ensiná-los andar pelo caminho certo. E quando diz que o devemos ensinar “no” caminho, não é ensinar “o” caminho,  porque desta forma estaríamos simplesmente  mostrando o rumo do caminho, ao passo que se seguirmos com ele “no” caminho, estaremos ao seu lado acertando e errando juntos, mas sobretudo o ensinando através de nossas experiências e exemplos. Nosso mundo confuso oferece muitas incertezas, e o único caminho certo é aquele em que devemos guiar nossos filhos, encontrado em João 14:6 que disse-lhe Jesus:  Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim. E no texto Ele conclui dizendo:  e ainda quando for velho, não se desviará dele,  isto porque é provado que o que você ensinar ao seu filho nos primeiros 20 anos de vida provavelmente determinará a direção que ele seguirá durante o resto de sua vida. Mais importante ainda, seu ensinamento provavelmente o guiará a fazer a escolha de onde ele estará na eternidade.

Voltando ao início, concluo que: - na visão egoísta de um pai que só espera algo do filho em relação a si próprio, talvez pelo simples prazer de ser pai, não se deve esperar muito, entretanto, o que se espera de um filho segundo a vontade e plano de Deus, com certeza será o melhor e mais agradável.


Em 8 de agosto de 2010, após quase 60 dias (24 horas por dia) dentro do quarto do hospital, ao lado do Luciano, digo ao lado mesmo, em que vivíamos e respirávamos ele, e ele, nós, como comemoração ao dia dos pais, recebi dele, um livreto como presente, escrito por Lídia Maria Riba com o título “Obrigado Pai”. Este livro é escrito em forma de frases curtas no qual é retratado os sentimentos de um filho em relação à sua visão de gratidão ao pai desde os primeiro tempos, quando o mundo era visto do alto de seus ombros, de seus momentos de aprendizagem, do pai herói, pai amigo, pai homem, enfim, a escritora foi muito feliz e justa com suas afirmações, entretanto, e acima de tudo, nada se pôde comparar ao que ele tirou do fundo de seu coração ao escrever sua mensagem do Dia dos Pais...

“Pai,
Parabéns pelo seu dia, o dia dos pais, um papel que você exerce de maneira fora do comum e sensacional.
Obrigado por tudo.
Te amo,
Luciano.”

Isto foi a última coisa que o Luciano escreveu para mim, palavras expressão de reconhecimento e amor...para logo em seguida partir. Ele partiu, mas deixou comigo, o sentimento que cumpri com o meu papel de pai, pois andei durante sua vida inteira “no” caminho, juntinho “com” ele, até o último minuto, e agora, com a certeza de que ele vive este dia dos pais, juntinho do eterno Pai...

Termino de escrever encharcado com lágrimas que expressam meu enorme sentimento de saudade dele, sentimento que desejo nunca acabar, pois este é o sentimento de amor que fica, e as lágrimas regam o que por ele foi plantado,   e choro, mas ao mesmo tempo grito bem alto...... Vivaaa!