A CURA FÍSICA NEM SEMPRE ACONTECE DA MANEIRA, NEM NO MOMENTO QUE DESEJAMOS

A doença de uma pessoa, ou especificamente de um ente familiar, desenvolve em seu redor um ambiente para onde tudo, e todos se voltam buscando a qualquer custo da cura desta enfermidade. E nesta situação, além  das questões científicas, busca-se também apegar nas espirituais, principalmente quando a gravidade da doença coloca em risco a vida.

A questão é que no âmbito espiritual, o entendimento sobre o assunto da cura física é afetado pelas convicções religiosas que cada um tem em relação à doença propriamente dita. Minha experiência de vida em meio a tantas circunstâncias envolvendo enfermidades, me permitiu algumas conclusões e inferências sobre este assunto. Portanto, se vamos falar sobre doença e cura sob a visão espiritual, devemos falar à luz da palavra de Deus.

Existem seguimentos de algumas religiões, que apregoam a doença como resultado de incredulidade, de carma, enfim, e que nunca seria preciso estar doente. Estes pontos de vistas além de limitados contradizem a palavra de Deus, a qual nos faz compreender a doença vinda por diversas razões. Como por exemplo, como um castigo (Jeremias 44:13, ou 1 Coríntios 11:29-31), para glorificação do nome de Deus (João 9:1-11), para nosso posicionamento em relação a Deus (2 Coríntios 12:7-10), às vezes sem explicação (Romanos 8:28), até como vindas de Satanás, mas como também produzida pelas circunstâncias vividas ou por nossos próprios atos (Filipenses 2:30). 

Enfim, não devemos nos prender a questionamentos, e sim buscar a presença de Deus, de forma conciliatória, pedindo a ele que se cumpra a sua palavra, “É Ele que perdoa todas as tuas iniquidades e sara todas as tuas enfermidades” (Salmo 103:3). Reconheça a ciência, como sendo um instrumento de Deus. Em momento de dor, conseguir sentir a presença de Deus dentro de si, é tornar-se capaz de entender Sua justiça e poder. E a fé que devemos depositar em Deus como sendo nosso Consolador e Pai que zela por nós, deverá aliviar nossas ansiedades, enquanto esperamos Nele a tão desejada cura.

O Senhor Deus pode curar qualquer enfermidade e não deseja que os seus filhos sejam doentes. Não existe obrigatoriedade de cura no momento e na forma que desejamos, pois o tempo Dele é diferente do nosso. A cura pode ocorrer instantaneamente, no decorrer de algum tempo, de forma progressiva, ou até mesmo com sua morte física, a qual deve ser vista com a cura eterna e desprendimento deste mundo de sofrimentos. 

Quando passamos por situações de sofrimento, como resultado direto da fé em Jesus, devemos nos alegrar e confiar, e não reclamar ou murmurar. Entretanto, o contrário é plenamente aceitável e entendível, e isso não pode ser visto como uma declaração de falta de fé. Trata-se da conseqüência de um trauma psicológico, e um trauma muito intenso nos dá uma imensa sensação de solidão e desamparo. Até mesmo Jesus quando estava na Cruz, como expressão de desabafo e abandono experimentou esse tipo de dor e disse, “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?” (Mateus 27:46).

O sofrimento traumático é tolerável se não tivermos de atravessá-lo sozinho. A coisa mais importante que Deus nos concedeu para que o sofrimento nos faça crescer, em vez de nos derrotar, é confiar na Sua presença. Ele prometeu estar presente para nos sustentar em momentos de necessidade. É assim que Deus cura a dor.

Nos momentos de dor e sofrimento, uma das grandes evidências que nos consolava, era presenciar a postura de fé que o Luciano tinha, que ao contrário das pessoas, dotadas de livre-arbítrio, o normal seria a reclamação de sua sorte, com se esta dependesse apenas do acaso. Mas, nunca sequer presenciamos reclamação,  impaciência, intolerância, falta de resignação diante das cenas vividas, ou qualquer sinal de prepotência e orgulho, evidências essas de fraqueza de espírito. Apesar de tudo vivido, Luciano nunca deixou de depositar sua fé em Deus, viveu a vida de maneira intensa, e sem considerar a derrota, e esta força o manteve até seu encontro pessoal e eterno com o Pai.
Luciano em oração com o pastor, ungindo
sua vida no momento do transplante de medula óssea
no M.D. Anderson, Houston, Texas.

Nesta longa maratona de 15 anos que o Luciano enfrentou três diferentes cânceres, cada qual sem ligação com o outro, ele foi curado miraculosamente de todos eles. Contudo, nos últimos dois anos em virtude do tratamento anteriormente recebido, ele teve de lutar contra uma leucemia de origem toxicológica, e ai pode experimentar a cura através da morte física. Muitas pessoas acompanharam esta sua corrida pela vida, onde os troféus almejados eram a cura, que em sua galeria de prêmios ele colecionou vários deste, até conquistar o seu grande prêmio, o “galardão eterno”.

Gostaria de ilustrar o exemplo de fé que o Luciano manteve durante sua vida com as experiências vividas de curas, através da canção, inspirada pelo Santo Espírito de Deus, “A Fé Vai Lhe Curar” composta baseada em sua vida e cantada por seu grande amigo João Marcello. Assista o clipe abaixo, e observe que no final, Luciano é homenageado, entretanto por coincidência ou providência de Divina, a canção seguinte busca nos trazer a consolação vinda de Deus. Esta foi uma experiência maravilhosa, e gostaria de compartilhar com cada um. Ao ouvir o clipe, faça como o Luciano gostava, ouvindo a música em som bem alto para se aproveitar melhor todos os detalhes, e repito o que ele dizia: “if it’s too loud, it’s because you’re too old”.